quarta-feira, 23 de setembro de 2009

sonhar acordado...

A agonia, o desespero, o infinito de emoções a rodopiar à sua volta...Filipe sentia tudo e não sentia nada. Parecia estar a levitar num Mundo que não era o seu...um silêncio ensurdecedor abalava a sua mente!
Então, como que por magia, Filipe regressou à infância. Porno estava agora à sua frente. Uma criança ruiva, com uma margarida branca na mão. A pureza, a delicadeza com que disse "Queres brincar comigo?Eu sou a Hannah." hum...que pensamento delicioso...
Subitamente, alguém gritava ao longe "Filipe!Filipe!"...Não conseguia ver o rosto desconhecido...talvez fosse a sua mãe...irmã...era uma missão impossível...desistiu...
Mas os gritos não cessavam e eram cada vez mais fortes! Filipe!Filipe!!FILIPE!!!
De repente, tudo parou de novo...suavemente, Filipe abriu os olhos. Tudo não passara de um sonho...Porno estava ao seu lado, linda, maravilhosa (apesar da mancha azul no cabelo!). Já com maior lucidez, ouviu a sua amiga dizer "Levanta-te, Filipe! Eles vêm aí!!Rápido, vamos embora!!!" Os passos aproximavam-se a grande velocidade. Em pouco segundos, a porta de casa foi derrubada, num estrondo atómico...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

estaria Porno viva ou morta?!

O coração de Filipe acelerou... as mãos tremiam e a respiração ofegante era impossível de controlar... Alheado da realidade, desceu apressadamente as escadas... Mas que cena era aquela?! [pensou atónito]


Sentiu uma forte pancada na nuca. De repente tudo ficou negro e as vozes foram-se tornando imperceptíveis, até que os sentidos se apagaram...

Não sabia quanto tempo tinha decorrido, nem o que acontecera... Parecia que tinha passado uma eternidade...


A dor de cabeça era tão intensa que não pensava em mais nada.


Ainda deitado no chão, de olhos fechados, tacteou em busca de algo para se apoiar. Sentiu uma poça de sangue... Sabia que não era dele, porque apesar das dores não tinha nenhuma ferida.


O fluido era espesso e estava frio, o que o deixou bastante preocupado...

Fez um esforço para abrir os olhos e ver o que se passava. Por momentos a luz feriu-lhe a íris. Tinha a sensação de que abria os olhos pela primeira vez, e... subitamente tudo fazia mais sentido...

O estrondo, o grito agonizante... e agora aquele corpo! Apesar do medo e da incerteza contemplou por segundos o corpo semi desnudado de Porno. Como era subtil e pura a sua tez clara, pensou maravilhado... Mas ao olhar de novo para o sangue, que momentos antes o fizera abrir os olhos, desassossegou.

O que teria acontecido? Tudo aquilo tinha que ver com o desaparecimento da sua família? Estaria Porno viva ou morta?!

. o.o .

A súbita reaparição de tal pensamento alheou-o à realidade presente. Porno esperava uma resposta que não vinha, pois Filipe estava a pensar na sua família e no que poderia ter acontecido. Depois de alguns segundos com a testa franzida, responde apressadamente à inesperada visita "Desculpa tenho que fazer um telefonema, já venho". As simpáticas perguntas de Hannah tiveram de esperar.

Ainda um bocado atrapalhado com tudo o que se passava à sua volta, Filipe subiu mecanicamente as escadas para telefonar aos seus pais. Enquanto isso, Hannah tomou a liberdade de ligar a televisão e instalou-se confortavelmente no sofá. Filipe, já no seu quarto, procurava apressadamente o telemóvel. Ao mesmo tempo começava a ficar estranhamente inquieto e com um ligeiro aperto no estômago que não conseguia explicar. Quando finalmente encontra o telemóvel, ouve-se um estrondo no andar de baixo e um grito agoniante.

domingo, 20 de setembro de 2009

Filipe fechou a porta ainda atónito com aquela aparição. Enquanto vasculhava o seu baú de pensamentos, recuando até aos seus 4 anos, Porno, completamente à vontade foi entrando e instalando-se. "Posso ir até à cozinha buscar um copo de água? Estou a morrer de sede!"
"Ahhh, sim claro!", respondeu Filipe automaticamente.
Mas por que raio, não se lembrava de Hannah? Ou Porno, com pelos vistos era chamada por todos. Decididamente ela não teria nascido com o cabelo daquela cor. "Pensa, Filipe, pensa".

"Obrigado! Estava mesmo com sede! E então Filipe, que é que tens feito nestes anos todos? Que novidades tens para me dar? De certeza que tens imensas. Eu tenho milhões. Vamos sentar-nos e conversar?"
"Ahhhh, sim claro". Por mais que quisesse, Filipe estava hipnotizado com aquela presença e não conseguia pensar com discernimento.
"Tive imensas saudades tuas, Fil. Lembrei-me de ti imensas vezes. Mas sempre tive esperança de voltar a reencontrar-te.", disse Porno sorrindo.
"Ya fixe, e agora que é que lhe digo? -pensou Filipe - Ah! e tal, desculpa mas não me lembro minimamente de ti!!". "Pois", foi o que conseguiu deixar escapar.
"Está muito silenciosa a tua casa. Estás sozinho?"
E de repente deu-se o clique. Filipe voltou a lembrar-se do que o preocupava antes de Porno lhe ter tocado à campainha.

sábado, 5 de setembro de 2009

o aparecimento de Porno

A campainha tocou. Ufa! Devem ser eles. Mesmo aliviado, Filipe demorou abrir a porta, as mãos tremiam com ansiedade que o próprio desconhecia.
Quando abriu a porta ficou atónito. Viu um enorme cabelo azul. A cabeleira começava escura na raiz e acabava num azul cristalino nas pontas que batiam ao de leve no dorso de uma rapariga (?)
No momento em que completava aquele cabelo, a rapariga virou-se e mostrou-lhe um enorme sorriso seguido de um “Fil” e um abraço. Pareciam velhos amigos. Ele não se mexia. “Mas que raio estaria acontecer?”,tentava o rapaz encontrar resposta. A miúda era mais que um cabelo azul e um sorriso bonito. Era linda. Não parecia que caia do céu, diria Filipe, mas que era uma adepta ferrenha do FCP. Trazia um vestido às riscas azuis e pretas muito justo. Calçava uma bota diferente em cada pé, uma verde, outra azul ainda mais alta, pelo joelho.

Enquanto Filipe contemplava aquela aparência anormal, a rapariga reagiu. “Então não te lembras de mim?”, “Perdão? Olha isto é coisa do Diogo e do Rui? Podes dizer”, “Ah?”. Ele tossiu e falou baixinho: “Eles já tinham dito que no meu aniversário iam contratar uma stripper. Mas eu só faço anos para a semana.” A rapariga parou por um segundo completamente alheada. "O meu nome é Porno", disse com um sorriso nos lábios. Filipe ficou em choque. Pela primeira vez agradeceu o desaparecimento da família. A coisa parecia ser mais grave. “Não te lembras de mim? Hannah Pornosviroski? Do jardim-escola!?”. Filipe continuou sem se mexer. Ela seguiu com explicações. “Eu vim de leste e fiz o infantário contigo…nós brincávamos muito na caixa de areia…vá lá Fil! Se calhar só te lembras da Hannah, mas quando voltei ao meu país todos me tratavam pelo apelido, Porno, para abreviar. Podes tratar-me por Porno. E se entrássemos? Arrefeceu não foi?”. Ela fez o favor de abrir caminho. Ele seguiu-a para dentro de casa.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

beginning

Estava farto de estar ao computador. Desligou-o e esticou-se na cama. Sentia-se entediado, aborrecido. Nem era muito costume dele. A mãe dizia sempre, "O Filipe parece um cachorrinho: sempre a andar de um lado para o outro, bem-disposto e simpático com toda a gente". Não conseguiu conter o sorriso que a sua boca formou. A mãe sempre o tinha amimalhado. Raramente havia problemas, mas quando os havia, quem ficava encarregue de os resolver era o pai. A sua irmã, Rita, era mais velha, mas também tinha ataques de ciumeira. Ele às vezes também a provocava - novo sorriso. Olhou para o relógio da mesa de cabeceira: seis e meia. Ainda tinha tempo para uma pequena sesta antes do jantar. Virou-se para a parede, pôs a cabeça por baixo da almofada, e adormeceu.
...
Acordou sobressaltado, sem perceber bem porquê. Olhou para o relógio e entendeu. Já eram nove menos dez e ninguém o tinha vindo acordar!? Percorreu a casa de cima a baixo. Nem sinal de vivalma. Onde se teriam metido todos?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Neste blogue vai ser criada e contada uma história com a ajuda de vários teclados amigos. Não tem grandes objectivos nem pretensões, apenas o desejo de contar uma história em conjunto. Esperamos que seja interessante.